Thursday, June 14, 2012

Tratados sobre a sexualidade no ocidente


Tenho a intenção de trazer nesse texto uma reflexão sobre o desenvolvimento da sexualidade contemporânea e discutir a veracidade de nossas crenças a respeito dos impulsos sexuais. Inicialmente a sexualidade é principalmente tudo que diferencia o que é masculino do que é feminino; estes dois pares de opostos regem o comportamento dos seres vivos e ambos fazem parte da vida de qualquer pessoa, independentemente de ser ela biologicamente mulher ou homem. Impossível falar sobre a sexualidade sem trazer a mente do leitor os resquícios dos ensinamentos e proibições da igreja católica na idade média e a revolução causada após a teoria psicanalítica de Sigmund Freud. Durante a era feudal a sexualidade era mais mito do que nunca, não se falava sobre o que ocorria entre as quatro paredes de um quarto. Nesses tempos remotos da humanidade, qualquer prática sexual que não visasse à procriação era considerada pecado. A única posição permitida era a da mulher deitada de bruços com o homem sobre ela, pois segundo os missionários essa posição estava de acordo com os ensinamentos do apóstolo Paulo que diziam que as esposas deveriam ser submissas aos seus maridos. Nessas circunstâncias de controle ao extremo das práticas sexuais quem se dava bem era o senhor feudal, que além de ter o direito de colocar cinto de castidade em sua esposa, podia tomar para si qualquer mulher do feudo durante a primeira noite do casamento. Outras práticas que foram completamente abominadas durante estes períodos no Ocidente foram à homossexualidade e a prostituição. Um fato curioso sobre a prostituição foi que o Papa Clemente II durante o século XI determinou que as prostitutas devessem dar metade dos lucros a igreja, ou seja, nota-se um possível interesse por parte da igreja de manter a sexualidade no nível de tabu. Estão montadas então as raízes dos tabus sexuais contemporâneos; vamos falar um pouco então do famoso psiquiatra vienense responsável por desconstruir concepções antigas, mas também por trazer novos conceitos bastante questionáveis. Sigmund Freud trouxe ao lado dos seus estudos sobre as neuroses um conceito bastante ampliado de perversões. Perversão é o investimento sexual fora das normas da civilização, portanto as perversões variam de uma época para outra. Notadamente para Freud todas as pessoas têm um grau de perversão, pois para ele a sexualidade tem seus objetos e alvos sexuais variando durante as diferentes fases do desenvolvimento da sexualidade. Um exemplo claro disso é que para ele a sexualidade passa por uma fase oral, uma fase anal e outra genital. Na primeira fase o desejo e o prazer estão centrados na ingestão de alimentos, no sugar o leite materno, e no chupar o dedo por exemplo. Na fase anal, a sexualidade está centrada nos excrementos, ou qualquer coisa que faça alusão às fezes; tanto é que o asco as fezes só aparece mais tarde devido aos ensinamentos dos pais. E finalmente vem a fase genital ou fálica onde o centro do prazer passa a ser o órgão genital. Já o objeto sexual inicialmente sempre é a mãe, mas após certos processos do desenvolvimento sexual que não cabe elucidar aqui passa a ser no caso das meninas o pai. É ao pai que uma pequena garota quer agradar na infância; essa mudança de postura em relação ao objeto de desejo (característico do famoso complexo de Édipo) demonstra mais uma vez o caráter bissexual dos seres humanos. Foi assim que Freud chocou a sociedade da época ao trazer a tona questões como à sexualidade infantil e a uma possível natureza bissexual. Contudo, nem tudo foram flores na sociedade psicanalítica de Freud, pois ele se mostrou bastante inflexível com seus discípulos; por isso, famosos discípulos como Adler e Jung, por exemplo, acabaram tomando outros rumos em seus estudos. E a queixa era sempre a mesma: a ênfase exacerbada que Sigmund Freud dava nos impulsos sexuais. Enquanto Freud considerava os impulsos sexuais como fator crucial para se entender as relações sociais, seu discípulo Alfred Adler, considerava que as relações sociais é que são fundamentais, e, portanto, são elas que determinam o comportamento sexual. Em “O mal-estar na civilização” Freud diz que a vida em sociedade exige do indivíduo o sacrifício de abrir mão de suas pulsões, sobretudo da agressividade e da sexualidade. Isso nos remete aos gregos que em um dado ponto do desenvolvimento de sua filosofia, dividiram o corpo em: razão (cabeça), vontade e sentimento (coração e tronco) e instintos naturais (membros inferiores). A partir dessa divisão é que a filosofia grega foi convergindo para o que hoje podemos chamar de cultura ocidental; a parte oriental da cultura grega foi se dispersando e perdendo forças, sobretudo a parte mística e mitológica. A alma sem duvidas estava mais associada à razão (cabeça) e, portanto como função superior deveria se firmar sobre o corpo, que seria comandado pelo que há de mais primitivo no homem. Essas particularidades do modo de pensar ocidental e também da teoria psicanalítica são enraizadas de tal maneira na mente humana que dificilmente serão retiradas de lá. Enfatizo que mesmo discordando da visão ocidental, ela está lá, dentro de cada um de nós ocidentais. A proposta da psicanálise talvez fosse de desconstruir concepções, mas ela cai num conflito insolúvel ao querer generalizar a natureza humana. o que será a natureza humana? O homem é tão versátil que é absurdamente difícil definir sua natureza, logo esses conceitos sempre devem ser revistos para um aprimoramento do entendimento sobre o ser humano.

1 comment:

  1. Cara, gostei bastante do texto, ótima introdução ao assunto... Valia a pena escrever mais sobre isso o/

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