Delírios costumam infestar o sistema nervoso;
Como uma praga esses grandiosos seres pequeninos se espalham em rede;
Eles têm fome de pensamento. Não se engane;
Sua aparência é bonita,
É como um sedutor ou sedutora, que te espera com um punhal afiado guardado na gaveta do armário.
É como um veneno que vai esvaindo suas forças, e te corroendo por dentro. E o mais desastroso é que você tem sede desse veneno. Sua corrosão causa um buraco no estômago, que inocentemente queremos preencher com mais veneno.
É como o álcool, que se usado em pequenas doses te dá coragem para enfrentar o medo, mas se usado em grandes doses te tira o juízo. Se usado de vez em quando te deixa alegre, mas se usado sempre te deixa deprimido.
Eles podem nascer em qualquer lugar, são plantas espinhosas que brotam principalmente nos terrenos mais áridos, mas também podem nascer em bosques, florestas ou pradarias.
O homem que tem uma foice não deve hesitar em destruir essas ervas daninhas. Mas dá uma pena, sabe? Ver ele ali, tão bonitinho, tão na dele, cheio de boas intenções.
Mas se tu hesita ele te domina, ele usa você. Ele diz na beira do teu ouvido que tudo é uma grande bobagem, e que todos estão errados. E então ele diz que tu podes ser grande, grande como ele. Se olhares de relance acharás que suas raízes são tão profundas quanto o mundo. Mas se olhares bem, se saíres da hipnose, se veres como vê um transeunte que passa na via e observa sua cena com a planta, notaras que ele é pequeno. O delírio é minúsculo. É uma memória. Que vai ficando cada vez menor, sem importância. E você deixa ele lá no canto dele, tristonho. De castigo, quem sabe um dia... Quem sabe um dia, ele aprende a se comportar.
Wednesday, December 4, 2013
Wednesday, October 23, 2013
Existe livre escolha?
O Condicionamento Humano II
Para uma melhor compreensão deste texto, o ideal é que o leitor leia o texto “O condicionamento humano” nesse mesmo blog. Segue o link:
Para uma melhor compreensão deste texto, o ideal é que o leitor leia o texto “O condicionamento humano” nesse mesmo blog. Segue o link:
O objetivo destes textos é de investigar junto ao leitor a
existência de um modo de vida diferente, novo, em que termine tamanho sofrimento
e conflito em que toda a humanidade tem estado submersa. Porém atentos para que
não mergulhemos em idéias utópicas, ou algum tipo de droga romântica que visa
nos isolar da realidade da sociedade. Existe o sofrimento, isso é um fato incontestável.
Hoje, vamos falar a respeito da
questão do mérito. Eu, como ser humano, sinto que devo me esforçar para chegar
à determinado alvo, e que se eu alcançar este alvo, foi graças ao meu esforço,
seja minha carreira, minha esposa/marido, meu carro, minha reputação. Tenho
acreditado piamente que tudo o que conquistei, todas às vitórias, ganhos,
lucros, foram devido ao meu mérito próprio, meu esforço, minhas escolhas. Por favor não diga: “mas é
claro que me esforcei”. Com certeza sim, mas vamos investigar isso. Veja, se
observo ao meu redor me deparo com uma sociedade desigual. Uns tem muitas
propriedades e dinheiro, outros vivem abaixo da linha da miséria. Uns nascem em
berço de ouro, outros nascem na total falta de recursos para se desenvolver
fisicamente e intelectualmente. Alguém pode nascer ou sofrer alguma fatalidade
durante a vida que o leve a alguma deficiência, e ter grandes dificuldades
devido a falta de infra-estrutura e inserção que a organização social promove.
Como ser humano tenho um acúmulo de experiências que decifram minha realidade,
que literalmente controlam meus pensamentos, e colocado diante de uma
determinada situação o pensamento opera interpretando de forma automática o que
me cerca. Onde está o meu mérito então? Acaso nos esquecemos de quantas
circunstâncias, pessoas, acontecimentos, experiências, foram necessárias para
formar o que considero mais louvável: que sou eu? Será que chegamos a algum
lugar por mérito próprio?
O que me leva a optar por “x” ao
invés de “y”?
Está é a questão da escolha. Porque
escolhemos, decidimos ? A resposta é
muito simples. É devido às minhas experiências que opto por uma escolha em
detrimento da outra. Arthur Schopenhauer pronunciou palavras muito bem
colocadas sobre a questão da escolha: “ O homem é livre para fazer o que quer,
mas não para querer o que quer “. Se fossemos livres para querermos o que
quiséssemos não haveria erros, todos nós optaríamos pelas melhores decisões
para a humanidade e tudo correria bem. No entanto parece que a nossa vontade
está condicionada pela nossa experiência, e como cada um de nós tem
experiências superficialmente diferentes temos vontades diferentes. É nesse
ponto que se encontra o perigo ao meu ver. Por favor não diga: “ Mas é obvio
que temos vontades diferentes, o que há de mal nisso?”. Provavelmente não haja
nada de mal nisso, mas existe algo no modo como lidamos com nossas vontades que
as tornam deturpadas, egoicas. E é um fato obvio que o movimento egoico não é o
melhor para a humanidade. Como cada indivíduo tem vontades diferentes, guerreamos por nossas vontades individuais. Eu acho que X é melhor, você acha que é Y. Eu acho que o meu deus é melhor, você acha que é o seu ou que é a ciência, e assim guerreamos, ou então, guerreamos por competição. Você diz "a vaga é minha" e eu digo "De forma nenhuma! ela é minha."; e simplesmente aceito o fato de só haver uma vaga. Porque não levanto a voz diante dessa situação? Porque não gritar sobre o que está acontecendo em todo o mundo?
Existem estudos que demonstram
que o cérebro comanda determinadas ações antes de o individuo ter consciência
delas. O psicólogo Benjamin Libet através de um experimento mostrou que uma
região do cérebro envolvida em coordenar a atividade motora apresentava
atividade elétrica uma fração de segundos antes dos voluntários tomarem uma
decisão, no caso, apertar um botão. Estudos posteriores corroboraram a tese de
Libet, de que a atividade cerebral precede e determina uma escolha consciente. Provavelmente,
a esta altura, o leitor estar se perguntando: “ Espere, Você está dizendo que
escolhemos de forma automática baseado em nossas experiências? Isto não é
determinista demais? Se for assim, o que adianta toda essa discussão, assassinos continuarão assassinos e farsantes continuarão farsantes, não é mesmo? ”. Pode o
ser humano mudar isso? É isso que nos interessa investigar. Será que a partir
do momento que o ser humano se torna consciente da realidade de que ele vêm
sendo condicionado, de que ele tem diversos atos ritualísticos por repetição,
por recompensa. Pode ele mudar? Isto é, pode ele duvidar de sua própria
experiência? Poderemos habitar esta linda terra com vales, cascatas, plantas, montanhas, pássaros, o mar, tecnologia
em favor do bem-estar, sem o repetitivo
conflito em que vivemos?
Friday, August 30, 2013
O condicionamento humano I
Se eu pudesse obter a resposta para qualquer pergunta, quais seriam as perguntas mais importantes a serem feitas?
Porque sofremos? Porque não temos tempo para fazer as coisas mais essenciais da vida? Porque construímos um mundo cheio de ódio, violência, segregação, guerra, fome, disputa, ganância, ilusão? Porque nos sentimos tão incapazes perante a esses fatos? Qual é a sua resposta?
Talvez eu já tenha tentado mudar tantas e tantas vezes e continuei o mesmo, que acabei desistindo. Me agarro à alguma forma de ilusão que diz que tudo vai ficar bem, que estou melhorando, que estou indo atrás dos meus objetivos, que alguém vai fazer por mim o que deve e só pode ser feito por eu mesmo. Como alguém pode mudar os relacionamentos de outra pessoa? Como alguém pode trazer paz real para a vida de outra pessoa? Como alguém pode mudar a sociedade? Os lideres comunista tentaram, Stalin, Che Guevara, Lenin, Fidel Castro, Mao-tsé-Tung. Mas nós vimos o fracasso dos regimes socialistas em todo o mundo, a tremenda repressão que existiu nesses países, a confusão e conflito gerado. Porque os comunistas esperavam que Stalin resolvesse os seus problemas. O ser humano sabe a condição precária em que vive em todas as partes do mundo, mas o ser humano acredita não ser capaz de mudar, acredita que a humanidade é assim mesmo. Porque? A sociedade é formada por cada ser humano, e cada um de nós está terrivelmente condicionado, de tal forma, que o condicionamento é tudo o que conhecemos. É como ter vivido a vida inteira dentro de uma cerca sem saber que existia um mundo maravilhoso la fora.
Nos identificamos com alguma autoridade: Hitler, Stalin, Freud, e isso nos dá uma segurança, um alívio. Nos identificamos com um grupo, e passamos a supervalorizar esse grupo, colocando-o fora da humanidade. Dizemos a nós mesmos: o ser humano é assim mas o meu grupo é diferente, o grupo a que pertenço é melhor, nós sabemos a verdade, nós somos o que há de melhor na humanidade. Somos arianos, vegetarianos, somos mulçumanos, somos a luz da humanidade. Longe de todos esses rótulos, que eu instituo para mim mesmo, continuo sendo um ser humano, como todos os demais. Com a minha dificuldade diária, inveja, ciúme, correndo atrás de dinheiro, buscando fama, e com um enorme egocentrismo. Tudo que importa são as coisas relativas ao Eu. Minha esposa, meu carro, minha família, meu Estado. Existe um mundo inteiro além disso. O mundo parece não importar, o Eu é a instância mais importante do universo. Daí vemos toda a degradação ambiental, espécies em extinção, poluição do ar.
Muitos de nós nos apegamos a pequenos valores como o fato de não falar palavrão ou não comer carne para idealizar a imagem que fazemos de nós mesmos. Pode um ser humano ver o fato de que ele e o resto da sociedade fazem parte do mesmo condicionamento? Toda vez que eu grito, entro numa discussão, ataco, insulto, corro atrás do vento, eu elaboro minunciosamente uma justificativa para isso. " Eu fiz isso, mas alguém me feriu". E assim o gigante ciclo de ignorância tem perdurado por milhares de anos de existência do ser humano. Todos nossos instrumentos para lidar com isso tem se mostrados insuficientes, o ser humano continua sendo o mesmo bárbaro de antigamente.
Porque eu, você, eles, nós não mudamos?
Porque eu, você, eles, nós não mudamos?
Saturday, April 13, 2013
Descartes: descobrimento ou invenção da subjetividade?
Para o filósofo francês René Descartes todos os seres humanos possuem a
razão, o que difere é o seu uso. Descartes nasceu no século XVI, uma época em
que o conhecimento científico ainda se encontrava completamente desorganizado,
e não havia um método para construí-lo. As discussões filosóficas da época
giravam em torno de opiniões muito diversificadas que não chegavam a nenhuma
conclusão evidente. Os escolásticos dominavam os pensamentos e os preceitos com
os quais se buscava alcançar a verdade; preceitos estes, que surgiram de uma
releitura das obras de Aristóteles, ajustadas às verdades cristãs.
Foi neste contexto que Descartes foi educado, no colégio jesuíta de La Flèche , uma das escolas
mais renomadas da Europa naquele período. Quando concluiu seus estudos em La Fleche , Descartes
estava decepcionado, pois ao invés de ter adquirido conhecimentos verdadeiros
durante os anos de estudo, ele estava repleto de dúvidas. Para ele, o grande
proveito que tirou de seus anos de estudo foi o de descobrir sua própria
ignorância e a distância entre aquilo que era ensinado nas escolas e o
conhecimento verdadeiro. Motivado por esta frustração, Descartes desenvolve a
dúvida metódica, para alcançar algo sólido e evidente. Com este método ele
pretendeu colocar a prova da razão, tudo aquilo que é dubitável, para assim
alcançar algum conhecimento, e a partir dele desenvolver sua filosofia. Entretanto,
Descartes não pode ser considerado um cético absoluto, pois seu método da
dúvida, visava retirar a confiança dos preceitos estabelecidos, para posteriormente
alcançar a Verdade; já os céticos não acreditam na possibilidade de existir uma
verdade absoluta.
Desta forma, Descartes colocou em questão todo o conhecimento aceito na
época; ele aplicou o método da dúvida em diversos setores, inclusive em suas
experiências. Para ele tudo o que julgou verdadeiro até aquele momento foi
devido a sua experiência sensorial. Os sentidos, a principio, foram tomados por
Descartes como enganosos, pois nem sempre um objeto tem o tamanho ou as
propriedades que ele aparenta ter. Há ainda aqueles que acreditam serem reis
sendo mendigos. Como saberia ele se ele também não estava enganado a respeito
de sua auto-imagem? Durante um sonho, uma pessoa acredita firmemente se tratar
de um acontecimento real, mas ao acordar, ela percebe se tratar de um sonho.
Não se poderia supor que existe a chance de passarmos pelo mesmo processo de
ilusão durante a vida de vigília?
Em meio a esta nuvem de dúvidas, Descartes percebeu que, ao pensar, ele
poderia duvidar de praticamente tudo, menos de que ele estava pensando. Ele não
poderia duvidar que duvida. Deste pensamento nasceu sua primeira máxima: Penso,
logo existo. Cogito ergo sum. A
partir desta máxima conseguiu sair de sua dúvida absoluta, mas ainda permaneceu
preso ao cogito. Ele havia confirmado sua própria existência, mas isto era
insuficiente para a elaboração da Ciência Moderna. Ele precisava provar a
existência do mundo e das coisas que viriam a ser os objetos de estudo da
Ciência no futuro. Entretanto, um dos preceitos básicos do seu método era a
regra da evidência, na qual ele decide que irá aceitar em seus juízos somente
aquilo que se mostre de forma clara e distinta, ou seja, apenas irá aceitar
como conhecimento concreto aquilo que seja indubitável; aquilo que o enganou
pelo menos uma vez, passa a ser considerado por ele como enganador. Esta última ideia de que se ele se engana
alguma vez pode estar enganado sempre, fez com que Descartes, em suas
meditações, inventasse o deus enganador. O deus enganador foi o ápice da dúvida
cartesiana a cerca da credibilidade do mundo sensível. O deus enganador era a
suposição de que, havia um ser que dispunha todas as coisas de modo a fazer o
homem acreditar que as coisas são diferentes do que de fato elas são. Até as
verdades mais obvias da matemática ganhavam uma interrogação com este
argumento. O deus enganador, mais tarde chamado de gênio maligno, foi um enorme
problema que só pôde ser solucionado, através da prova da existência de Deus,
como ser perfeito, infinito e não-enganador.
A primeira observação de Descartes que conduzia a prova da existência de
Deus é a de que ele, Descartes, era um ser imperfeito e finito, mas nele
existia a ideia de perfeição e de infinito. A ideia de perfeição não poderia
ter surgido de um ser que está abaixo da hierarquia do ser perfeito, ou seja, a
ideia de perfeição não poderia ter surgido de um ser imperfeito. Descartes
considerava a si mesmo como imperfeito por ele duvidar. Se ele duvidava, é por
que não possuía o conhecimento total e verdadeiro, logo era imperfeito, e
devido a essa imperfeição, necessitava do método para conhecer a verdade das
coisas, ou seja, conhecer Deus.
Descartes provou a existência de Deus, através da própria noção de Deus,
que é a marca deixada pelo criador nos homens. Provada a existência de Deus,
Descartes pôde sair do cogito e assegurar a existência das coisas materiais,
uma vez que, Deus é perfeito e não-enganador. No entanto, Descartes persiste na ideia de que ele é a razão, aquilo pensa, sente ( Res cogitans) e isto é uma
substância de natureza diferente do corpo e da materialidade ( Res extensa).
Esta distinção entre o Cogito e o mundo feita por Descartes repercutiu em
impactos significativos que perduram até os dias de hoje. Através dela o homem
efetuou sua separação absoluta da natureza e pode desenvolver o método
cientifico, com impactos positivos e negativos. As outras regras do método
cartesiano: “dividir, analisar e enumerar” também influenciaram profundamente o
estilo de vida das pessoas, sobretudo na relação do homem com a natureza e com
as outras pessoas. Observa-se que Descartes valorizou a prova de sua existência,
ou seja, do cogito; e da existência de Deus, como garantia de que existem
outras coisas além dele. A existência do mundo através de Deus garantiu a
fundação da ciência moderna e de todas as suas descobertas e invenções. As
coisas se tornaram fatos a serem estudados, divididos e analisados. Descartes
não se preocupou em evidenciar a existência do “outro”. Na visão de mundo
originada de Descartes, o que existe são um conjunto de “cogitos”, cada qual
garantindo sua própria existência isolada dos demais e do mundo. O mundo é um
objeto, do qual deve-se buscar conhecer e extrair suas verdades. O observador e
o observado, foram separados como duas substâncias de natureza distinta. No
entanto a psicologia contemporânea e as neurociências vêm trazendo novas idéias
que poderão reformular esta visão de mundo. Os estudos recentes apontam para a
ideia de que quando um individuo olha para um objeto ele enxerga mais suas
próprias características do que características inerentes a natureza do objeto.
É uma releitura, do que já dizia Descartes, a respeito da falibilidade dos
sentidos.
É concedido a Descartes o titulo de “ pai da ciência moderna”. Graças a
seu método, a ciência pode fazer avanços inestimáveis e as tradições medievais foram
superadas. Como ele propôs, sua
filosofia se tornou as raízes da arvores do conhecimento; a física, durante
muito tempo foi o tronco; e as outras ciências foram os frutos.
No atual momento histórico o
ser humano alcançou todo este avanço nas ciências, mas a humanidade como um todo continua passando
por sofrimentos psíquicos, guerras, conflito, violência, preconceitos e uma
crise ecológica a nível global. Portanto, nos próximos anos, a ciência deverá
passar por uma reforma no modo de investigação da natureza. Deverá abandonar os
padrões individualistas, e se atentar para os problemas sociais, uma vez que
estes já não atingem mais apenas uma parcela da população, mas a população como
um todo; se é que um dia foi diferente.
Saturday, September 22, 2012
Rede de ilusões (conto)
O rei sentou-se na cama e leu os
jornais. Mais tarde trouxeram-lhe café; com pouco açúcar e um bolo de morango
bastante apetitoso. Comeu somente a metade, bebericou o café e olhou para os
empregados que fizeram cara feia enquanto o rei que não gostara do café
resmungava: “será possível que não se encontra ninguém que saiba trabalhar
direito”. Ficou na cama até tarde; levantou-se apenas na hora de jogar golfe. Começou
fazendo belas tacadas; na primeira bateu com tanta precisão que sorriu para si
mesmo. Mas logo se cansou, queria público, não podia jogar sozinho apenas ele e
um empregado que carregava o material esportivo.
O rei voltou para casa e foi
planejar as batalhas com seu general ao seu lado. O rei considerava o general um
verdadeiro hipócrita, via claramente a falsidade naquele sorriso morto. Entre vários
pensamentos o rei movia as peças de um tabuleiro de um lado para o outro; enquanto
o general dava sugestões. A mente da majestade divagava, pensando em diversas
possibilidades na frente de batalha; o inimigo estava por todo o lado; isso
fazia sua mente dar um terrível nó e se exaurir. Cansado de planejar as
batalhas e aborrecido, o rei dispensou o general, pediu para que ele cuidasse
do resto. “Pouco me importo com o resultado dessas batalhas”: pensou o rei; mas
na verdade se importava. Ele era o rei de um povo, milhares de pessoas
dependiam dele; ah e seus pais... Se estivessem vivos o que pensariam deste
reinado que ele estava levando? O reinado de um louco com certeza! O povo
passava fome lá fora, o inimigo se aproximava, destruía vilarejos, estava tudo
errado... Tudo errado. Enquanto o caos e os conflitos se espalhavam
generalizados pelo reino, o rei permanecia lá no conforto de sua casa, seu
castelo; mas no desconforto de sua mente, seu templo. As imagens de um reino
miserável iam e vinham em sua mente sem parar, os sons de gritos agonizantes
bailavam no ar. Então sua mente lutava, ele pensava em salvar o reino, fazer
história, ser um grande rei pra sempre lembrado. Isso o confortava; fazia
planos e planos para o reino, enquanto a realidade ia sendo distorcida; por fim
não sabia mais o que era real. Para livrar-se da terrível culpa e da
responsabilidade, usava a imaginação; mas as notícias dos desastres do país
sempre chegavam aos seus ouvidos, fazendo-o desabar, voltar para desesperança,
alimentando um ciclo sem fim. No meio deste nevoeiro de sentimentos a majestade
estava na banheira deixando a água bater em suas costas e escorrer. Tornou-se
cônscio da natureza de seus pensamentos. As águas limpam o corpo e a alma; o
movimento das águas na banheira era como um reajuste mental, suave e sereno. Pequenas ondas se formavam ao redor do centro de tudo isto, que
coincidia exatamente com o corpo do rei. O nevoeiro se tornou visível,
iluminado; os nós se desfizeram; o corpo sentiu a água de um jeito totalmente
novo... Ah! Que tranqüilidade! Que sensação! Há quanto tempo não sentia a água assim... Aquele homem sorriu repentinamente. Os defuntos morreram, os vivos viveram, e a história começou
novamente do início. Um dia a história chegará ao fim.
Thursday, August 23, 2012
Novos e estranhos tempos - (conto)
O urso estava esperando as trutas
descerem rio abaixo, elas estavam previstas para chegar quando o sol
percorresse 3/4 do trajeto no céu, seriam centenas delas, um delicioso banquete
que só um ser imponente como ele poderia desfrutar. As trutas vieram e o urso
as pescava com enorme destreza; não deixava que elas escapulissem de suas
garras, e devorava-as sem piedade. Contudo, em pouco tempo, o sol desceu
montanha abaixo, foi se embora e com ele foram-se também as trutas; o urso
comeu sua ultima truta, suculenta e carnuda despertando as melhores sensações
que uma garganta poderia ter. As trutas não voltariam mais naquele dia, isso
causava certa indignação no urso, mas pelo menos ele sabia que elas voltariam
no dia seguinte; isto era um grande consolo. Elas sempre voltavam todas as
tardes, desde que o urso se lembrava; graças aos deuses que os antigos haviam
notado que as trutas sempre apareciam em certo horário do dia, agora ele podia
saber quando elas iam voltar, e isso o deixava mais seguro. Mas por causa das
trutas o grande urso nunca havia saído dos vales do norte, ele sabia que ali
teria seu precioso alimento diário rico em todos os tipos de vitaminas que ele
conhecia. De longe ele apenas avistava cadeias de montanhas ao sul, e uma luz
lilás que aparecia no céu todas as noites. Que luz bela, cheia de vida,
completa em sua magnificência, que luz seria aquela? Seriam os espíritos de
seus ancestrais? Ou quem sabe, um portal para outro mundo. Não saberia, pois
habitava a montanha da morte, e de lá não sairia; devorava a carne das trutas;
e as trutas devoravam-lhe a alma.
Até que numa certa tarde
ensolarada o pesado urso estava ansioso a esperar por mais uma edição de seu
esplendoroso banquete, quando os peixes não vieram. Algo muito estranho havia
acontecido no topo da montanha da morte para mudar o rumo natural das coisas; e
o grande mamífero precisava se preparar para uma nova vida, se habituar a um
novo lugar. Ele parou deprimido diante das águas a observar a correnteza forte
do rio que tanto o alimentou, mas agora o desamparava; o deixava completamente
perdido, sem destino, sem paradeiro, sem proteção. Pelos deuses, o que havia
feito para merecer isto? Da noite para o dia perderá tudo que era mais
importante para sua vida de urso. Em frente ao rio permaneceu imóvel durante
oito dias, até que a fome o castigou. Sentia pontadas fortes na boca do
estômago, precisava se alimentar urgentemente. Tomado por um profundo e
misterioso Insight o urso se levantou, com o olhar fixo no horizonte, bebeu um
pouco da água do rio e partiu rumo ao incerto.
Sunday, June 24, 2012
O PODERIO ORGANIZACIONAL
Introdução
“A história das
organizações está intimamente ligada à história da sociedade humana. As
organizações não são invenção moderna. Os faraós delas se utilizaram para
construir as pirâmides. Os imperadores da China delas se utilizaram, há
milhares de anos, para construir grandes sistemas de irrigação. E os primeiros
Papas criaram uma igreja universal a fim de servir a uma religião universal “(ETZIONI,
1989). As organizações são um conjunto de indivíduos, que mesmo com suas
particularidades, estão ligados por uma missão em comum.
Este trabalho tem como objetivo trazer a historia das
organizações desde os seus primórdios, bem como seu desenvolvimento e adequação
na atual conjuntura do capitalismo. No
estudo das organizações é sempre importante entender os contextos
sócio-culturais em que elas estão inseridas, pois isso é determinante para
trazer a tona suas necessidades, direcionamentos e perspectivas. Além de
observar a sociedade e seus desdobramentos, este trabalho também traz a
estrutura organizacional e as problemáticas modernas nas relações entre os
diferentes indivíduos de uma organização; bem como um olhar para questões ainda
maiores como a relação do indivíduo com a organização como um todo e o mito
moderno das “organizações imortais e perfeitas”. É possível destacar ainda, os
movimentos de contracultura que surgem ao longo da historia, como por exemplo,
o movimento hippie; e o contexto social atual que tem levantado a questão intercultural
nas organizações, devido à pequena distância que existe entre qualquer ponto do
globo terrestre hoje em dia com a globalização.
História
das organizações
A história das grandes empresas tem início no período
de transição que ocorreu a partir da primeira revolução industrial, ocorrida na
Inglaterra. Até o século XVIII um produto era produzido, em todas suas etapas,
por um único artesão; mas com a invenção da máquina a vapor por James Watt, a
indústria começou o seu desenvolvimento. Teve inicio uma ampla divisão de
tarefas e o surgimento das maquinas como grande fonte de trabalho; neste
período inicial da indústria o trabalhador se encontrava numa situação
delicada, pois ainda não contavam com a força dos sindicatos e estava
completamente a mercê dos donos do capital. Os trabalhadores eram explorados
com jornadas de trabalho gigantescas, remuneração pequena, e nenhuma das
vantagens oferecidas atualmente pelas empresas, como plano de saúde por
exemplo. Esse modelo que enxerga o funcionário como uma espécie de ferramenta
que pode ser facilmente substituída influenciou todo o desenvolvimento da
indústria e trouxe implicações que podem ser notadas ainda hoje. Esta
influência pode ser notada também em dois modelos importantes que surgiram no
início do século XX: o Taylorismo e o Fordismo, que derivam respectivamente dos
empreendedores Frederick Taylor e Henry Ford.
Frederick Winslow Taylor (1856 – 1915) valorizou
acima de tudo o lucro; no modelo criado por ele o importante era produzir em
larga escala e o mais rápido possível; para isso, ele julgou desnecessário que
o trabalhador conhecesse todo o processo de produção, ele apenas queria que
seus funcionários realizassem com eficiência a etapa do processo que era
designada a cada um deles; e era função do gerente planejar a sincronia entre
as funções dos operários. Com isso, o trabalho se tornou ainda mais dividido; e
o processo criativo do trabalhador estava ameaçado, pois a tendência proposta
por Taylor era a da mecanização do trabalhador, que desempenhava na empresa um
papel repetitivo e treinado; frustrando muitas vezes a necessidade psicológica
do ser humano de se colocar em sua obra; ou seja, a necessidade do trabalhador
de inserir sua individualidade na criação do produto. Seguindo uma linha de
pensamento semelhante à de Taylor, no começo do século XX, surge o chamado
fordismo. A principal novidade implantada por Henry Ford foi à linha de
montagem, que acelerou a produção quebrando recordes na quantidade de
automóveis produzidos. Na linha de montagem o produto percorre o trajeto de uma
esteira e em cada etapa ele recebe o trabalho específico de determinados
funcionários; tal modelo é amplamente utilizado atualmente sendo responsável
pela produção em massa de diversos produtos. Outras políticas também foram
lançadas por Ford, como os bons salários pagos e a política das metas; a gestão
extremamente alienatária de Ford objetivava não só produzir trabalhadores
qualificados e treinados, mas também produzir consumidores para sua indústria.
Essas políticas deram ao indivíduo a oportunidade de crescer na empresa, mas
também intensificaram um vinculo que pode ser danoso para o sujeito; a ligação
afetiva entre o funcionário e a empresa.
Entre os outros fatores históricos que tiveram contribuições
importantes para os rumos tomados pela indústria foram as duas grandes guerras
e a crise de 29. No período pós primeira guerra mundial a economia ficou
centrada no modelo liberal do EUA; a indústria estadunidense abastecia o
mercado europeu e promovia a reconstrução do velho continente. Este modelo
tinha influência da idéia de “mão-invisível”, proposta no século XVIII por Adam
Smith; este idéia propunha que a economia era capaz de se auto-regular sem a
intervenção do estado. Porém, após a reestruturação da Europa os produtos
norte-americanos pararam de ser comprados em tão larga escala, e os estoques da
empresas estadunidenses começaram a aumentar com a superprodução; este aumento
dos produtos em relação à demanda culminou com a quebra da bolsa de valores de
New York em 1929, desencadeando a maior crise já enfrentada pelo sistema
capitalista. Os índices de desemprego cresceram, a produção diminuiu, e grande
parcela dos trabalhadores que continuaram com seus empregos foram obrigados a
aceitar redução de salário; este cenário foi decisivo na aparição dos governos
totalitários de extrema direita. Os governos totalitários apareceram como
solução para muitos países superarem suas crises, e assim figuras como Hitler e
Mussolini tiveram a oportunidade de assumir o poder com seus governos
nazi-fascistas. Já os EUA, resolveram sua crise com uma série de medidas
tomadas pelo presidente Theodore Roosevelt que ficaram conhecidas como New
Deal; as medidas consistiam principalmente na retomada de certo controle do
estado sobre a economia, sobretudo nos preços e na produção, para evitar um
novo acúmulo de estoque. Contudo, a política ofensiva dos países nazi-fascistas
acabou levando á um novo desequilíbrio da ordem mundial: a Segunda Guerra
Mundial.
Dentre as implicações da segunda guerra está a
divisão do mundo em dois grandes blocos econômicos: o bloco liderado pelos
Estados Unidos e o bloco liderado pela União Soviética. O crescimento do
socialismo apontava para certa fragilização do sistema capitalista, que ao
longo dos anos anteriores havia passado por períodos de muita turbulência. Foi
nesse contexto que surgiu no Japão o terceiro modelo de gestão; o modelo
Toyotista. O modelo toyotista foi uma forma que o Japão encontrou de se
reestruturar; o Japão ao contrário dos EUA não possuía grande mercado interno e
tinha poucos recursos naturais. O toyotismo se diferenciava do fordismo
principalmente por não haver estocagem de produto, tudo era produzido de acordo
com a demanda atual de mercado; e, portanto, o produto era finalizado exatamente
no momento da entrega; este conceito de produzir somente o necessário é chamado
de “Just in time”. Também é característica do toyotismo o multifuncionalização
dos funcionários; ao contrário do modelo fordista em que havia uma rígida
divisão de tarefas. Para conseguir se estabelecer, o toyotismo foi auxiliado
por um amplo investimento em educação feito pelo governo japonês que tornou a
mão-de-obra do Japão extremamente qualificada para atender á um dos quesitos
fundamentais do toyotismo: a qualidade de seus produtos.
Crise de identidade e suas implicações
Na atualidade as empresas estão sendo configuradas
para atender á necessidade de lançar um olhar para a interculturalidade dentro
da empresa e na sociedade em que vivemos; tal interculturalidade originou-se da
globalização. A globalização aproximou as diversas culturas do mundo, rompeu
com estruturas sociais e permitiu a um cidadão pertencer ao globo terrestre
como um todo. O capital ganhou a capacidade de ser facilmente transferido; bem
como os profissionais ganharam esta propriedade, e até mesmo as organizações
que atualmente tem a capacidade de se transferir por inteiras de uma nação para
outra.
Atualmente é possível entrar em contato facilmente
com o “diferente”, e até mesmo com o oposto da cultura local; por isso,
torna-se necessário que especialistas dêem uma atenção dentro da empresa para o
relacionamento entre diferentes funcionários, que necessariamente vêm da
inserção em uma cultura, formação moral e/ou religiosa e hábitos. Se por um
lado esta diversidade aumenta a qualidade do trabalho, por outro, se não houver
diálogo e negociação na empresa estes aspectos podem gerar desentendimento
entre os trabalhadores e exclusão. Outra implicação da interculturalidade é a
acelerada perda de identidade que o cidadão contemporâneo tem sofrido; os
jovens do final do século XX e do século XXI não têm o auxílio das estruturas
que organizavam a psique em gerações passadas, como o estado, família e a
igreja. Com isso, os indivíduos ganham uma mobilidade maior nos grupos de
referência; podendo em certo momento de sua vida pertencer a um grupo e em
outro mudar para um grupo diferente. Nesse contexto de falta de uma identidade
fixa, as organizações geralmente aparecem como entidade forte capaz de reger e
organizar a psique; o funcionário compra a meta e a identidade de sua
empresa.
O ideal imaginário das
organizações
Na atual conjuntura da sociedade as organizações
estão se estabelecendo no imaginário das pessoas como entidades grandiosas,
nobres, perfeitas e capazes de suprir a necessidade humana de completude. O
jovem contemporâneo apresenta uma preocupação grande com a perfeição e a busca
desenfreada pela verdade e algo que dê sentido a sua vida; esta é sua condição
neurótica. Este ambiente é perfeito para que a organização perversa se
estabeleça, trazendo a fantasia da organização completa e sem falhas e também
favorecendo o consumismo desenfreado, pois os indivíduos contemporâneos estão
carregados de uma plenitude insaciável, produto do não reconhecimento das
faltas reais do sujeito. O desprazer de se deparar com a incompletude seria
tamanho, que membros das organizações e de grupos sociais têm utilizado
enfáticos métodos de exclusão para atingir sua superioridade psíquica. É um
mecanismo semelhante ao método nazista para atingir sua auto-satisfação; que
consiste em subjugar os que estão fora da organização “perfeita”. Os indivíduos
que não se adéquam as normas da moda, ou que não tem um bom carro, ou um
emprego de status elevado são em geral também subjugados caracterizando a
exclusão dos “inadequados”.
Para se sentirem parte desta perfeita organização que
está presente no imaginário das pessoas, o indivíduo acaba gastando toda sua
energia com o trabalho, que assume uma posição de referência, ultrapassando muitas
vezes a família. O plano de metas contribui para dar está determinação do
trabalhador em vestir a camisa da empresa, pois à medida que o empregado recebe
promoções e premiações, ele se sente reconhecido como fazendo parte do processo
engrandecedor da empresa.
A ideologia vigente nas organizações é a da
racionalidade e cientificidade. Esta postura tem suas origens na Grécia antiga,
quando em um dado momento do desenvolvimento de sua filosofia o corpo foi
dividido em cabeça (razão), tronco e coração (sentimento, vontade) e membros
inferiores (instintos naturais). No século XVII, René Descartes contribuiu
ainda mais para essa visão de valorização da razão ao fazer a separação entre
mente e corpo. Assim, o lado místico do desenvolvimento ocidental, que antes se
fazia notar na mitologia grega, praticamente se perdeu; e o reflexo disso é que
hoje se acredita na transcendência da empresa e que todos os problemas são
possíveis de solução operacional. Assim mesmo com tanto progresso tecnológico e
cientifico; a civilização não conseguiu resolver os seus problemas; pois a
sociedade desvalorizou o equilíbrio entre as funções mentais do ser humano e
superestimou o valor da razão. A perversidade proibida na vida singular e
bloqueada pela razão se torna possível no vinculo com a organização; o perverso
considera que em nome da organização tudo se justifica e tudo existe em função
dela.
Laços
libidinais e perversão.
A sociedade vem se desenvolvendo e fortalecendo em
dois aspectos principais, se por um lado o egoísmo é cada vez mais incentivado
pelo modelo capitalista, por outro as formas de perversão e de vazão dos
instintos sexuais estão sendo cada vez mais bloqueados pela razão. O ambiente
nas grandes empresas não é diferente, totalmente doentio e recheado de falsos moralismos
que não acontecem na prática, pois as perversões têm assumido formas cada vez
mais discretas e dificilmente notáveis entre os membros de uma empresa.
Os laços libidinais que são tidos na psicanálise como
os laços que se originam dos filhos para com seus pais (consistindo para um
garoto na figura do pai, que é tomado como ideal; e na da mãe, que é tomada
como objeto de desejo), geralmente são transferidos para os chefes na empresa.
Esta condição psíquica pode gerar transtornos caso haja um abuso do poder por
parte dos chefes; o indivíduo por se sentir preso ao chefe pelos laços
libidinais e isto pode conduzir em alguns casos ao assédio sexual. Outro motivo
que potencializa as perversões dentro da organização é o temor por ficar
desempregado, situação que se constrói no imaginário das pessoas como típica de
indivíduos fracassados.
O perverso tem em si a necessidade de desqualificar e
rebaixar o outro para poder se sobressair ou manter uma alta auto-estima; estas
agressões psíquicas começam com um abuso de poder seja este poder fundamentado
no real ou no imaginário. No caso do poder real o perverso utiliza-se de sua
condição hierárquica avantajada para cometer o assédio; e no caso do poder
imaginário o perverso utiliza-se da construção psíquica de seu poderio,
baseando-se nas diferenças étnicas, nas diferenças de gênero e opções sexuais,
nas questões culturais, e nos diplomas que possui. O individuo perseguido é
acarretado de duvida do que está acontecendo, pois o ataque acontece na maioria
das vezes de forma muito discreta, com a negligência dos demais colegas que não
participam e com a negação do assédio por parte do agressor; com isso, a vítima
acaba levando para si a culpa de estar sofrendo as agressões mentais.
Movimentos de contracultura
O
fato de a civilização ter avançado muito em conhecimento, mas continuar tendo
graves problemas como a violência, fraude, estupros, fome, desigualdades, solidão,
transtornos mentais, vícios, guerras; têm levado diversas pessoas do mundo todo
a questionarem a conjuntura da sociedade. Em diversos momentos da historia
foram necessárias forças motoras instituintes para repensar a sociedade,
contudo muitas vezes essas mudanças ocorreram aos poucos. Um movimento notável
na década de 60 e 70 que objetivava uma mudança radical da sociedade foi o
movimento hippie; este movimento considerava que o governo, as indústrias, o
exército, os valores tradicionais e a moda fazem parte de uma instituição única,
que sobrevive na interligação destes diversos setores. Baseando-se no
pacifismo, os hippies apoiavam o anarquismo e os ideais de comunidades igualitárias.
Traziam do extremo oriente diversos valores religiosos e o uso da meditação
como forma de transcender a consciência para muito além do ego. As práticas
hippies mais abominadas pela sociedade tradicional são o nudismo e o uso da
maconha, que segundo os hippies era capaz de promover a libertação da mente. Além
dos hippies, podemos notar a expansão de tradições como o Zen-budismo e a busca
pelo misticismo efetuada por diversos ocidentais, como o psicólogo Carl Jung
que estudou profundamente o ocultismo em diversas culturas.
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